Entrevista concedida à revista Plantas Flores e Jardins edição Maio/2015
1.         Há diferentes variedades de ciclame? Quais são as mais comuns no cultivo doméstico e o que os difere?

R: Sim. O gênero Cyclamen (família Myrsinaceae) é composto por 23 espécies, nativas do mediterrâneo. A espécie mais comum, de longe, é a Cyclamen persicum, que encontramos em diferentes cultivares, nas floriculturas de todo o mundo. Os Ciclames que conhecemos hoje são resultado de mais de um século de hibridações e seleção genética. As cultivares dele tem flores maiores, cores mais vivas e folhas mais ornamentadas do que a espécie encontrada em seu habitat natural (região da pérsia, por isso o nome da espécie). Além do Cyclamen persicum, mais conhecido como “Florist cyclamen”, temos os conhecidos como “Hardy cyclamens”, ou Cyclames rústicos. Estes são populares na jardinagem européia e norte-americana, por serem mais resistentes e tolerarem temperaturas abaixo de zero prolongadas. Dentre os rústicos, os mais comuns e de fácil cultivo são o Cyclamen coum e o Cyclamen hederifolium.

  1. Quais os diferenciais da flor e as formas de utilização?

R: O grande diferencial da flor do Ciclame é que a haste floral, que brota a partir do tubérculo, se inclina em 150-180º, virando a flor para baixo, e as pétalas, invertidas, permanecem para cima. Esta característica que torna a flor tão peculiar. O Cyclamen persicum é utilizado como flor de vaso interno e até como flor de corte. Os “Hardy Cyclamens” são utilizados na jardinagem.

  1. Quais cores a flor é encontrada?

R: Branco, rosa claro, vermelho, salmão e roxo, podendo ter as pontas das pétalas com cores distintas.

  1. Quais os grandes desafios de cultivá-la?

R: Primeiramente devemos ressaltar que o Ciclame é uma planta perene que tem sido tratada como anual, pois as pessoas preferem não esperar praticamente a metade do ano com a planta em dormência.

Provavelmente os maiores desafios no cultivo, sejam os tratos culturais que ela demanda, como o reposicionamento das folhas para melhor absorção solar, a divisão dos tubérculos no momento da propagação e posterior replantio, pois são tarefas bem dispendiosas.

 

  1. Em média, quanto tempo dura a florada? Ela floresce mais de uma vez por ano?

 

R: A florada dura em média 2 meses. O Cyclamen persicum floresce uma vez ao ano, no inverno.

  1. Há algo que podemos fazer para incentivar a floração?

 

R: A partir da maturidade (8-12 folhas), a floração pode ser induzida pela alta irradiância em combinação com baixas temperaturas.

 

  1. No plantio doméstico, o que é mais indicado, mudas ou sementes?

 

R: Mudas propagadas pela divisão dos tubérculos. A propagação de cyclamens por sementes é mais recomendada para a produção comercial e melhoramento genético (criação de novas variedades).

  1. Qual a composição de solo ideal para cultivar a espécie?

R: Na realidade não existe uma composição ideal de substrato. Cada produtor tem a sua composição baseado em experiências e na disponibilidade de insumos na região. Porém ela deve respeitar algumas exigências, como: Alta capacidade drenante, pH de 5,5 a 5,8, condutividade elétrica (EC) de 0,5 a 1 e bastante matéria orgânica. De forma caseira, pode ser feito uma mistura de fibra de coco moída, terra vegetal e casca de arroz carbonizada (1;1;1)

  1. Quais os cuidados que devemos ter no plantio? Qual a medida média da cova e da área que devemos deixar entre cada planta? Até onde devemos cobrir de terra? Molhamos ao finalizar?

 

R: Deve se ter cuidado na divisão dos tubérculos e em seguidas plantá-los com tamanho de cova suficiente para abrigá-los completamente. Se certificar de que o substrato esteja sem compactação para permitir o desenvolvimento das raízes. Espaçamento de 22-30cm entre plantas é o recomendado. Molha-se ao finalizar.

  1. Em média quanto tempo entre o plantio e o nascer das primeiras flores?

R: Propagado via semente, ele começa a floração à partir da 16ª-20ª semana.

  1. Podemos plantar o ciclame com outras espécies? Quais são as recomendadas e quais devemos evitar?

Sim. As espécies rústicas normalmente são plantadas no jardim na sombra de àrvores. Podem ser combinadas com outras espécies em maciços, para produzir contrastes de cor, forma e textura. Se plantada de forma esparsa, combinar plantas de altura, vigor e necessidade hídricas parecidas.

  1. Existe algum adubo específico, qual é a composição mais indicada? Quando e como deveria ser aplicado?

 

Não existem adubos específicos para o Ciclame. Podemos utilizar formulações mais equilibradas como 18-18-18+micro para o desenvolvimento inicial e 06-18-36+micro para o florescimento. Os adubos solúveis, como o Kristalon e o Hydrofert são os mais recomendados, numa concentração média de 1g/l, e aplicados a cada duas semanas, somente no substrato.

  1. Qual o melhor clima para o cultivo da espécie? Em relação a horas de sol, quantas são ideais?

 

No Brasil, o clima mais adequado é o do sul, já que a planta sofre um pouco em temperaturas acima de 25 graus, porém esse não é o limitante. O ideal é que a luminosidade seja difusa. Se não for possível, pelo menos evitar o sol direto das 9 as 16 horas.

  1. A irrigação deve ser frequente? Existe alguma orientação na hora de molhar a flor?

 

A Irrigação deve ser a cada 3 dias, em média, dependendo do clima e do substrato. Não se deve molhar a flor, nem as folhas para evitar aparecimento de fungos. Deve-se abrir um espaço nas folhas com a mão para irrigar o substrato. No Japão, por exemplo, os Cyclamens são plantados em vasos, nos quais podem ser molhados apenas a parte de baixo do substrato,  mais indicados para bulbos e tubérculos.

  1. Em relação às pragas e doenças, quais são as mais comuns e o que podemos fazer para evitá-las?

 

As doenças mais comuns são Botrytis, Fusarium e Erwinia, enquanto as pragas são os pulgões, àcaros e tripes.

Pode-se usar um fungicida preventivo, como o sulfato de cobre para as doenças e um inseticida somente se as pragas aparecerem.

  1. Além dos cuidados citados, há algo a mais que devemos fazer na manutenção?

 

R: Para prevenir a proliferação de doenças e prolongar a floração, devemos retirar as hastes florais de flores atacadas.

  1. Se houver, cite curiosidades ou informações adicionais sobe o cíclame.

 

R: O Cyclamen persicum é uma planta comestível. Aqui cabe uma citação muito interessante do livro History of Greek Food, de Mariana Kavroulaki:

No passado, os ciclames eram especialmente conhecido por virtudes medicinais (pois contêm um veneno purgativo). Os tubérculos possuem cyclamin que é uma saponina tóxica, portanto, nunca tente comê-los. As folhas do Cyclamen graecum têm sabor acri-doce.

A mais conhecida cultivar, Cyclamen persicum, é uma importante planta selvagem comestível no Iran e na Palestina. Suas folhas também são cozidas com arroz, carne de carneiro moída, temperos e comida com iogurte (Za’matoot palestino ou Dolme iraniano). Não sei se as folhas dessa espécie têm sabor diferente.

No entanto, a receita do ciclame grego é velha e quase esquecida. De fato, o uso de plantas mediterrâneas comestíveis encontra-se em fase decisiva. Como você sabe, as comunidades mediterrâneas orientais estavam bastante centradas no cultivo e na comida selvagem tanto para subsistência quanto para o sustento. Depois da Segunda Guerra Mundial, o consumo de plantas selvagens e sementes mudou de acordo com as mudanças sócio-econômicas. Infelizmente, o extraordinário conhecimento tradicional de plantas selvagens como recurso não foi absorvido pelas novas gerações e eu me pergunto se já está no limiar do desaparecimento.’’

  1. Nome/Sobrenome, empresa, endereço e site ou e-mail do responsável pela entrevista.

R: Gustavo Macanhão. Eng. Agrônomo e Paisagista na Arte Vegetal Jardins e Ópera Garden. gustavo@artevegetal.com.br / www.artevegetal.com.br

Rua São Salvador, 43 – Curitiba PR

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